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12/08/2010

Caleidoscópio.

Sou tudo que tem do lado de dentro, no avesso da retina.
Sou flor que dá no alto da colina.
Tropeço se a lua me distrair, e sofro de angústia ao perder a poesia,
E como diria a Adélia, quando vejo somente pedra onde a pedra está.

Prefiro a Poli do que a Mono, quando se tratam de Cromias. Me entendes?
O que é colorido sempre dá mais gosto.
O que se opõe também. Verde e vermelho, amarelo e roxo...
Apesar do esforço, não me simpatizo com o que é médio, sejam pessoas, ideias ou sentimentos ...

Remédios também não caem bem.

Gosto de palavras simplices. Gosto de escrita fácil. Gosto da eucaristia do que se lê aos goles. Livros que se bebem.
Respingos de letras no vidro da janela. Eu prefiro.

Prefiro sim.

Moraria facilmente numa gaiola se me pedissem com carinho.
Minha única condição, anote aí, seria que lhe tirassem a portinha.
Vôo fácil, sabe?

Também posso ficar se desejarem... desde que a porta da gaiola não esteja lá, e com sua ausência, a presença da minha escolha de pássaro.
“Parece que as asas entendem mais sobre as direções da alma do que os nossos pensamentos”, o Rubem Alves me contou.

Respeito a Arte. Qualquer linguagem, em qualquer tempo. Apesar de alguns desgostos e estranhamentos. Reverencio a Arte em silêncio, como que lhe dando passagem.
Se tudo na vida fossem verbos, cinzas e beges seriam suficientes na paleta.

A música sem letra.
As letras sem parágrafo.
A dança sem explicação.
A pintura que se abstraiu.

Respeito, me distraio, e sorrio até fechar com gosto os olhos...

Gosto do gosto das crianças. Há sempre algo mágico em suas intervenções.

Amo o príncipe pequeno e o amarelo dos seus cachos nos campos de trigo, tudo aquilo que se cativa enquanto temos duas horas para caminhar lentamente, mãos nos bolsos, para beber água na fonte.

De Deus, meu mais profundo silêncio, daqueles que fazem um barulho capaz de transformar toda a direção do mundo. Nele, por Ele e para Ele, todas as coisas, eternamente.

Do outro: aquele que aumenta minha existência, a coletividade é a unidade maior de onde tirarei minha grandeza.

Do amor, espero os olhos.
Que a pessoa amada “seja uma luz suave que ajude a suportar o terror da noite”, assim como a luz das velas. [Rubem Alves também me indicou]

Falo de mim como quem abre um parêntesis, desconhecendo a hora de fechá-los.

Sou meu próprio mistério.

Todo o resto é pura e mera definição.

E, até onde sei, ainda não é o fim.

2 comentários:

Thiago M. Paixão disse...

Qual espírito te ditou isso? O Rubem Alves ainda está vivo e comendo jaboticabas!

Muito bom...

Bianca disse...

O espírito das palavras eternizadas nos livros. [Estejam os autores mortos ou vivos]
O espírito da melancolia também deu sua força... rs... não posso ser injusta quanto aos méritos ;]

Quando o que escrevemos é lido, parece que nossa dor [alegria, angústia, ou falta-do-que-dizer] é compartilhada...

Obrigada por "cear" comigo por aqui =]