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29/02/2008

hypocrisis

“Chamou-me a atenção o texto de uma matéria relatando um incêndio e suas conseqüências trágicas em uma casa de espetáculos americana: “O público achou que as chamas eram parte do show e demorou a reagir”.

Justo. Justíssimo. Quem afinal seria dotado de tão refinada sintonia, para antever os limites da pirotecnia, do entretenimento? Porém, me é impossível não pensar no entreTETAnimento como um todo, nos programas de domingo das tvs, nos espetáculos caça-níqueis, na música pop em sua maior parte, no futebol de segunda a segunda e todos aplaudindo a tragédia sem nos darmos conta. Mais ainda, nas crianças pelas ruas da cidade: “O público achou que a miséria era parte da vida e demorou a reagir”.

Tenho a sensação que a impunidade assim se dá. Mesmo as pequenas, as nossas do dia-a-dia. Como se acreditássemos que nossas falhas, nossas hipocrisias, não chamarão a atenção em meio ao turbilhão dos tempos.

Se a barbárie vencer, talvez. Mas se ainda restar justiça sobre a terra, impreterivelmente todas as bravatas terão suas máscaras a meio pau. Ou por outra: sempre chega o dia em que meio as altas labaredas de um incêndio é possível perceber as chamas do inferno. Nunca é tarde demais pra uma verdade – mesmo que a mentira seja muitas vezes linda ou convincente.” (Michel Melamed em Dinheiro Grátis)

Em tempos de reflexão, uma das coisas que me veio à mente é a necessidade de verdade. Em meio a tanta “facilidade” de contato virtual, temo que a vida esteja se virtualizando também... Ontem visitei amigos dos quais sentia saudade. Amigos daqueles cuja convivência sempre nos deixa nostálgicos pois nos remetem à tempos que não mais voltarão. Tempos marcantes. Tempos felizes.
Ciclos de amigos que não se construíram na pressa. Ao contrário: em longas e intermináveis viradas de noite, jogos teatrais, música, papo, café, boas e altas risadas... mas também de conflitos, tensões e resoluções avivadas!
Ontem também deletei o meu orkut. Aquele espaço pode realmente ser funcional. Só faço um esforço pra saber se as palavras de carinho ditas vez ou outra num recado a alguém não sejam mais um dos nossos "deveres sociais". Quero receber e dar depoimentos que, impreterivelmente, me deixem ver olhos, intenções, e o sentir da respiração. Não quero ser mais uma expectadora da minha própria vida, já que ela está lá pra ser manuseada, visitada e fuxicada publicamente. Pra que a vida não mais pareça, e sim, seja!
No more virtual "I love you’s", no more virtual "I hate you’s"!

Dá-lhe feijão!

2 comentários:

André Gama disse...

Intenso. Verdadeiro. EN-CO-RA-JA-DOR.

Juliana Pimenta disse...

hum, que bom chegar até aqui e ver novidades...
essa, em particular, me deixou pensando...